Setembro 2008 - ESCOs: um mercado na rota da expansão
Mercado de ESCOs cresceu 23% no ano passado, chegando a um faturamento de R$ 650 milhões. Previsão é saltar, este ano, para R$ 800 milhões, segundo Abesco
Seja nos jornais, na internet ou na televisão, a eficiência energética vem tomando conta dos noticiários e caindo no cotidiano das pessoas. Hoje, a eficiência energética não está mais tão associada ao racionamento de energia e as empresas começam a perceber os benefícios que ela pode trazer para os negócios, com a redução das contas de eletricidade.
Essa percepção fica mais em evidência quando voltada para o mercado das Empresas de Conservação de Energia (ESCOs), que, nos últimos anos, entrou na rota de crescimento no Brasil. Responsáveis, muitas vezes, por auditorias energéticas e projetos voltados para a economia de energia, as ESCOs viram na expansão do mercado a oportunidade para se consolidar no país.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco) mostram que, no ano passado, houve um crescimento no setor em torno de 23%. De acordo com a diretora-executiva da associação, Maria Cecília Amaral, esse crescimento aconteceu principalmente devido ao aumento dos custos da energia e das questões voltadas para as mudanças climáticas. "A eficiência energética está, atualmente, muito atrelada ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Os empresários estão percebendo que a eficiência é a única forma de compatibilizar a necessidade de crescimento do mundo com a sustentabilidade", comenta diretora da Abesco.
Segundo ela, em 2007 o mercado de ESCOs faturou cerca de R$ 650 milhões e a previsão é que em 2008 esse montante chegue a R$ 800 milhões. Para que as ESCOs possam atender cada vez mais as necessidades do mercado, elas estão passando, segundo Maria Cecília, por um processo de readaptação. "As ESCOs estão investindo mais em capacitação empresarial, contratando pessoal voltado para as áreas técnica, jurídica e comercial", conta. Além disso, de acordo com a executiva, essas empresas estão formando parcerias com outras ESCOs para oferecer ao cliente o melhor projeto de engenharia.
"As parcerias se dão da seguinte forma: se minha empresa é especializada na eficiência de motores elétricos, por exemplo, me junto a outra ESCO voltada mais para o setor térmico. Assim, posso oferecer um contrato mais completo para o meu cliente", explica a diretora. Eduardo Gastaldo, da ComEnergy, empresa com sede no Rio Grande do Sul, concorda que o momento nunca esteve tão propício para as ESCOS. Segundo ele, a companhia cresceu 82% de 2006 para 2007 e espera crescer ainda mais esse ano.
A ComEnergy, que desenvolve soluções de engenharia e as financia com capital próprio, investiu cerca de R$ 5 milhões no ano passado em ações de conservação de energia, principalmente em indústrias e comércio de grande porte. "Com as ações implementadas, conseguimos reduções entre 15% e 75%", conta Gastaldo. A Dalkia também registrou aumento na procura por trabalhos de eficiência energética. Para Francisco Dal Rio, gerente técnico da companhia, houve uma mudança na forma de o empresário ver os projetos de eficientização. "Antigamente tínhamos que provocar o empresário para alertar sobre os benefícios da eficiência energética e hoje todos já conhecem", observa.
Ele conta ainda que, anteriormente, apenas 50% dos projetos desenvolvidos pela Dalkia - que atua nas áreas de operação, manutenção e conservação de energia - incluíam a eficiência energética. "Hoje, entre 90% e 95% dos empresários pedem esse serviço", destaca. A companhia, com sede em São Paulo, já realizou projetos de eficientização em hospitais, shoppings, universidades e edifícios comerciais e corporativos, substituindo equipamentos antigos por outros mais eficientes, mudando o sistema de iluminação e climatização. "Dependendo das ações implantadas, já conseguimos reduções entre 5% e 25%", diz o executivo.
Já na Efficientia, ESCO ligada à concessionária de energia Cemig - Companhia Energética de Minas Gerais, os negócios poderiam estar melhor e crescendo mais, segundo o gerente comercial e de serviços, Ricardo Moura. No seu ponto de vista, com a economia forte, as empresas estão mais preocupadas em aumentar a produção do que em investir em eficiência energética. "As ESCOs é que estão tendo que procurar os clientes, principalmente as indústrias, para poder realizar esse trabalho", diz Moura. Segundo ele, as principais ações que a Efficientia realiza nas indústrias são a modernização do processo produtivo, a instalação de inversores de freqüência nos motores elétricos, além de mudanças nos sistemas de refrigeração e iluminação. Assim como nas outras ESCOs, a Efficientia adota o modelo de contrato de performance, ou seja, no qual a ESCO ganha em cima da redução do consumo de energia obtida.
A parte de regulação também parece caminhar para estimular novas ações neste mercado. O Ministério de Minas e Energia (MME), por exemplo, divulgou neste mês de agosto a abertura de inscrições para editais de dois trabalhos que vão subsidiar estudos voltados para a área de eficiência energética. O primeiro estudo vai tratar de mecanismos de contratação de serviço de conservação de energia e da revisão do marco legal, o que na visão de Maria Cecília, da Abesco, é excelente. "O foco desse estudo é poder viabilizar os contratos de eficiênica energética para prédios públicos", explica. Ela contou que, atualmente, é muito difícil adaptar o contrato de performance para prédios públicos, devido à lei de licitações e também porque, com a redução do consumo de energia, as provisões de receita para aquela edificação no ano seguinte passam a ser menor.
"Se um prédio público gasta R$ 100 mil por mês na conta de luz e, aplicando projetos de eficiência energética passa a gastar R$ 40 mil, a receita dele no ano seguinte para o pagamento de faturas de energia elétrica será de R$ 40 mil por mês, o que inviabiliza o contrato de performance", exemplifica a diretora da Abesco, acrescentando que o desperdício de energia nessas edificações chega a 45%. O segundo estudo vai abordar o desenvolvimento da estrutura para o processo de monitoramento e verificação nos projetos de eficiência energética no Brasil. "Esse segundo estudo também será importante porque viabilizará a entrada da eficiência energética, como uma usina virtual, nos planos de energia do governo", ressalta Maria Cecília, acrescentando que é importante que saibamos seguramente com qual percentual de eficiência energética poderemos contar no planejamento energético do país.
Fonte: http://www.abesco.com.br
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